Feminismo: está na hora de conhecer!

Oi meninas! Como vão? Quero começar esse post falando bem rapidinho sobre mim. Eu tenho 18 anos e sou mineira (e pisciana haha). Há cerca de um ano eu comecei a ter contato com um movimento sobre o qual eu sabia muito pouco, mas do qual talvez, no fundo, eu sempre fiz parte. Eu conheci o Feminismo, e dá pra dizer que muita coisa mudou a partir daí. Eu comecei a questionar muita coisa e me libertei de muitas “amarras sociais” que só me impediam de viver minha vida como eu realmente queria.

A gente sabe que a sociedade é super machista. Que garota nunca ficou possessa pelo irmão poder fazer muito mais coisa do que ela, não poder andar sozinha na rua, não poder sair de casa com aquele shortinho lusho, não pode brincar de carrinho de controle remoto, tem que sentar de tal jeito quando tá de saia, tem que estar sempre linda e cheirosa, se gostar de algumas coisas consideradas “masculinas” é chamada de lésbica, não pode ficar com muitos caras senão é puta (enquanto eles são Os Fodões Pegadores), não conseguir andar na rua sem algum babaca mexer com você… é foda ser mulher hoje em dia, apesar de todas as conquistas que as feministas conseguiram para nós (direito de voto, de usar calça, de ter a profissão que quiser, entre outras).

A gente costuma muitas vezes se surpreender quando alguém se diz feminista, mas nos esquecemos que somos, em grande maioria, criadas para sermos machistas. Pra acharem que homem tem que ser assim e assado, e mulher tem que ser de tal e tal jeito. Que é feio mulher fazer tal coisa. Que mulher é “naturalmente” x ou y.

A lição básica de hoje é: O que é Feminismo?
Feminismo é uma teoria de igualdade, que busca igualar homens e mulheres não somente em direitos civis (ex: voto), mas também numa questão social, como garantir que mulheres tenham o direito de vestir uma sainha curta sem ter um cara escroto te secando e te fazendo ficar constrangida. A igualdade que buscamos vai além de salários, profissões e direito de votar: ela alcança o bem-estar pessoal. O direito de fazer o que você quiser da sua vida (vestir o que quiser, ter o corpo que quiser, beber sem te dizerem que mulher bebendo é feio, gostar de sexo sem ser humilhada por isso…).

“O Feminismo não é um livro de regras. Existem alguns princípios básicos é claro, mas há sempre espaço para interpretação. Uma/um feminista não fala por todos; se você discorda de uma/um feminista em alguma coisa, por favor não desconsidere todo o movimento ou as ideias de outras/outros feministas! Nós não concordamos sempre, e isso é bom. É parte de entender sobre as coisas.
Feminismo é uma discussão, uma conversa, um processo!”
Essa é uma imagem retirada de uma palestra feita por uma feminista adolescente de 17 anos. Basta clicar na imagem e você será direcionada para a palestra (legendada somente em inglês, infelizmente).

Parece que a gente já tem o direito de fazer isso tudo, que não faz quem não quer e etc. Mas não é verdade. Eu mesma já deixei de vestir um short curto que amo porque sempre que passava num determinado lugar para ir pro cursinho, mexiam comigo. Aqueles caras que me chamavam de “gostosa” me constrangiam e eu preferi guardar o short pra outras ocasiões a passar por isso todo santo dia.  Eles tiraram a minha liberdade de ir para onde eu quiser com a roupa que eu quiser.

Quantas amigas já deixaram de ficar com mais um carinha na balada por medo de ficar com fama de puta? Muitas. As pessoas (inclusive outras mulheres, outras garotas da nossa idade. Talvez até mesmo você que está lendo isso, hein!) que condenam mulheres por terem vários parceiros tiram a liberdade delas de fazerem aquilo que querem com o seu corpo. Elas se sentem inibidas e obedecem as regras da sociedade para serem aceitas, ao invés de fazerem o que querem.

“Ah, mas você que é boba de ligar pro que os outros pensam de você!”, alguns diriam. Pois é. Sou boba mesmo. Eu e grande parte da população, não só mulheres. É inevitável que algumas pessoas vão se importar com o que falam, e por isso todo mundo deve parar pra pensar que muitas mulheres estão deixando de viver a vida delas simplesmente porque nossa sociedade (machista) quer um modelo perfeito de mulher.

Qual seria esse modelo perfeito de mulher?
Bom, vamos lá. Nem alta nem baixa, magra, peitões, depiladinha em todos os lugares possíveis, cabelão lisinho, sem estria nem celulite, voz meiga, educada, gentil, estável emocionalmente, paciente, altruísta e prendada.
“Ah, mas eu conheço um cara que prefere…” sim, todas conhecemos. Mas esse é o padrão de beleza e comportamento que vende nos comerciais, nas revistas. Mulheres vão à spas para se depilarem, emagrecerem, alisarem os cabelos. Colocam mega-hair. São repreendidas quando são hostis ou falam palavrão: “Isso não é jeito de uma moça falar!”

Poxa! É bastante coisa pra gente tentar ser, não é? Eu estou cansada de me matar por beleza e por uma personalidade que não têm nada a ver comigo, e acho que muitas de nós estamos. Só que é tanta cobrança vinda de tudo quanto é lugar (família, amigos, escola, namorados, amigas) que a gente desiste e abaixa a voz, fala que a irritação é culpa da TPM (e não da pessoa sendo babaca com você, CLARO) e recusa aquela fatia maravilhosa de bolo de chocolate. Não que esteja errado fazer regime, alisar o cabelo ou se maquiar. O errado é se sentir na obrigação disso, como se simplesmente por ser mulher, você tivesse que estar magrinha, alisada, depilada e com cílios marcantes.

Em resumo, o machismo quer, desde sempre, que nós sejamos simplesmente bonitas e caladinhas enquanto os homens fazem o trabalho. Tudo aquilo do homem trabalhar e a mulher cuidar dos filhos tem muito a ver com o receio da mulher sendo exposta pra sociedade, vivendo uma vida fora do círculo familiar. E até hoje temos isso. Quantos casos já vimos da filha que sai muito menos que o filho (muitas vezes até mais novo que ela)?

Dão a desculpa da segurança, que somos visadas por assaltantes e estupradores. Mas será que isso não é mais um sinal de machismo? Que os homens assaltantes e estupradores nos veem como frágeis, incapazes? E nem vou entrar no estupro… não precisa falar nada né gente? O que será que pensa um cara que se acha no direito de forçar uma mulher a fazer qualquer ato sexual com ele? Machismo!

O machismo está presente em tudo. Desde os nossos lares até os cargos públicos. Existem poucas presidentas pelo mundo, bem como poucas mulheres ocupando grandes cargos em empresas. Em contrapartida, temos poucos homens que cuidam da casa e dos filhos, ou que mesmo dividem essas tarefas com sua esposa/parceira. Isso porque somos ensinadas desde criança a gostar de casinha, comidinha, romance, cuidar de bebês… enquanto eles brincam de executivo, jogador de futebol, polícia e ladrão, médico… Nos associam ao cuidar, as profissões que exigem carinho e atenção (como médica e professora), paciência e meiguice, assim como a beleza. Associam os homens a profissões e atividades agressivas, que exigem força bruta e pouca sensibilidade. O machismo faz do homem um cubo de gelo (frio, duro, insensível, indelicado) e da mulher uma florzinha (frágil, bonita, precisa de cuidados), quando na realidade, o homem não precisa ser assim e a mulher também não. Essas limitações machucam principalmente mulheres, que tem sua sexualidade julgada e reprimida, seu pensamento crítico interpretado como TPM e sua auto-estima massacrada por padrões de beleza inatingíveis. Mas isso não quer dizer que os homens também não sejam vítimas disso. Eles tem obrigação de serem machões, insensíveis, pegadores e imponentes, senão são “mulherzinha”, “viado”, “maricas”. Se os homens não são aquilo que a sociedade cobra deles, eles são julgados como mulheres. É como se eles descessem ao nosso nível: numa sociedade em que “mulherzinha” é xingamento, dá pra falar que não existe machismo, gente?

Até em assuntos íntimos como nossa virgindade o machismo se mete. A virgindade masculina é impencilho, deve ser perdida o mais rápido possível, não importa com que garota. Já a feminina deve ser preservada até o casamento (ou pelo menos um namorado muito especial), e se acontece de maneira diferente a garota perde o seu valor. Não é justo que tenhamos nosso valor medido pela situação de nossas vaginas!

Vocês já perceberam como nos programas de televisão as mulheres estão sempre com roupas curtas e decotadas, raramente tendo alguma participação relevante? E as dançarinas, que ficam ao fundo do palco, simplesmente decorando o ambiente. Isso mostra uma coisa que não é novidade: quando o assunto é mulher, aparência é tudo. Se você é inteligente, bem-articulada, rica e poderosa, nada disso importa em relação a sua aparência. Quando a Dilma concorreu a presidência do Brasil, havia muitos comentários sobre as roupas e acessórios da presidenta, bem como a (ausência de) maquiagem da Marina Silva e seus cabelos presos de forma bem simples. Não se falava muito sobre a vestimenta do Serra. O mesmo aconteceu nos EUA quando Hilary Clinton concorreu à presidência: suas ideias e argumentos como candidata perderam espaço para a aparência dela. Para saber mais sobre como a mulher é representada na mídia, assista esse documentário (não é chato, passa rápido e os dados são interessantes): Miss Representation.

Fazendo exatamente o que ela bem entender.

O Feminismo é uma discussão velha e que está sempre em transformação, porque ela trata da nossa sociedade. Se a sociedade muda o tempo todo, o mesmo acontece com os movimentos que querem melhorá-la. Muito provavelmente eu vou fazer mais textos sobre o assunto dentro da tag “comportamento”, porque somos adolescentes/jovens mulheres e temos muitas ideias para se formar ainda. Não acho justo que nos prendam num padrão de beleza e comportamento e não nos deixem ser quem somos, e me sinto na obrigação (como mulher e feminista) de mostrar para vocês que muitas das coisas que aceitamos como verdades absolutas só nos oprimem e diminuem.

Espero que tenham gostado do post e que tenha sido esclarecedor pra vocês!

Ps: Aqui estão links de blogs, páginas no facebook, tumblrs e afins para vocês se informarem e lerem sobre o assunto:

Quero ver todas curtindo essas páginas, hein rs

Usem os comentários para dúvidas e esclarescimentos que eu respondo com o maior prazer! Até a próxima!

Carol Marques.

13 thoughts on “Feminismo: está na hora de conhecer!

  1. Parabéns pelo texto, Carol!

    Acho que você deixou claro como o feminismo é um assunto atual e necessário. Ser feminista é também buscar por uma sociedade onde mulheres não sejam estimuladas a competirem e sim a se ajudarem. Uma sociedade que preze pela solidariedade feminina. É olhar para nossas amigas como amigas e não como competidoras, é elogiar mais, é julgar menos. Adoro essa parte do feminismo que busca essa irmandade e acho que muitas vezes a gente tem que partir daí, porque todas as mulheres sabem que existe amizade feminina e que ela é forte e leal também.

    Gostei muito de como você falou sobre a questão do padrão de beleza e também sobre como deixamos de fazer certas coisas com medo do que os outros vão pensar ou com medo mesmo de ser ofendida nas ruas.

    Acho que você deixou claro que o feminismo tá ai pra nos ajudar.

  2. “Numa sociedade em que “mulherzinha” é xingamento, dá pra falar que não existe machismo, gente?” Falou tudo! Lindo texto. Ontem, ouvi uma professora chamar de piriguete uma menina de 11 ANOS que foi estuprada por treze garotos no banheiro da escola que frequentava! O machismo é tão congênito nesse mundo, que as próprias mulheres não o enxergam nelas mesmas. Enfim, adorei o texto, espero que poste mais sobre, nós temos de ser a mudança que queremos no mundo, não é mesmo?

  3. Muitas pessoas tem uma ideia errada do feminismo, até eu não simpatizava sem saber direito sobre a causa… Seu texto foi esclarecedor, e mudou completamente minha cabeça! Me identifiquei com vários casos que você contou, e realmente o machismo ainda é muito presente na sociedade, nós que não queremos enxergar! Ficarei acompanhando a tag, quero saber o que fazer para ajudar a mudar essa situação!

  4. Seu texto está muito bem escrito! Parabéns!
    Já falei isso em um outro texto, mas vou falar de novo: continue a escrever pois você é muito talentosa.
    Gostaria de acrescentar que é muito importante que as pessoas SAIBAM o
    que é o feminismo. Conheço muitas meninas que não gostam e não se interessam pelo movimento pq tem medo que sejam rotuladas de “gordas”, “lésbicas”, “peludas”, “mal comidas” etc. Ou seja, tem medo
    da reprovação (essencialmente masculina) ao se intitularem como feministas. Muitas mulheres falam mal do feminismo sem nem ao mesmo saber o que o movimento representa e o pq da necessidade do mesmo existir. É aquela velha frase irritante que de vez em quando a gente ouve por aí: “Não sou feminista, sou feminina!”.
    Enfim, é muito bom ler textos como o seu, que introduzem as pessoas ao movimento e que explica a necessidade da existência do feminismo. E não importa se a sociedade quer nos rotular de maneira “negativa” (como se “peludas”, “gordas” e “lésbicas” fossem características ruins), ao mostrar que o feminismo ajuda as mulheres e a sociedade como um todo, as pessoas mudam seus pensamentos e começam a enxergar a importância do mesmo.

  5. muito bem, isto mesmo, parabéns! Agora eu gostaria de ver se há alguma mulher disposta a sair com um sujeito e pagar a conta, pois este sujeito está com dificuldades financeiras, mas vocês tem todo direito de continuar saindo com outros …

    1. Bom, o texto não é meu. Mas eu estaria disposta a pagar sim, não vejo problema nenhum nisso. Porém, a questão é que as feministas não querem se sobrepor aos homens. Se você leu o texto inteiro ou pelo menos o início leria que o “Feminismo é uma teoria de igualdade, que busca igualar homens e mulheres…”. Então, se é mulher e um homem te convida para sair e paga, por que a mulher não pode convidar um homem para sair e pagar?

      1. Raramente uma mulher convidará para sair! Somente quando o sujeito já é um conhecido interessante dela ou quando se trata de um homem alto, forte, bonito, inteligente, etc… Tem que ter pelo menos 3 dessas características juntas. Já para o homem, ele não faz de rogado quando tem como custear passeios, pagar as contas… Uma sociedade é mais feliz quando os homens tem mais condições, mas hoje em dia está ficando difícil, devido a tanta política demagoga por aí.

    2. Oi Fred. Eu escrevi o texto e sempre que quero sair com meu companheiro e ele está sem grana eu pago pra nós dois. Ou mesmo quando ele tem dinheiro e eu quero fazer um agrado, eu pago. Quando eu fico endividada, ele também paga as coisas se quiser sair comigo. Isso é companheirismo (:

      Então sim, existem muitas mulheres dispostas a pagar a conta.

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