O Dia do Orgulho/Vergonha Hétero!

Vou começar deixando claro que esse artigo vai conter meus argumentos e minhas opiniões (com minhas quero dizer “da colaboradora Carol Marques”) e não do blog De Repente Cresci como um todo. Eu não conheço a opinião das donas e dos colaboradores do blog, então se o(a) leitor(a) discordar, estará discordando de mim e não do blog em si. Além disso, esse post foge da linha do blog totalmente mas trata-se de um assunto atual e que é importante, então é sua escolha ler. 

Foi aprovada nessa terça feira (02/08) uma lei que já estava sendo discutida desde o mês de Junho: Trata-se da definição de um dia do ano para O Dia do Orgulho Heterossexual. Você pode ler as duas notícias com detalhes aqui e aqui.

Bom, vou me basear no posicionamento do vereador de São Paulo Carlos Apolinário e nas justificativas do mesmo para a criação do Dia do Orgulho Heterossexual. Todos nós sabemos que existem aqueles que se posicionam a favor da homossexualidade, os que ficam em cima do muro, e os que são contra o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Existe um conflito entre o primeiro e o último grupos que trouxe no instante da aprovação dessa lei a prova de como as concepções de “respeito”, “igualdade” e “preconceito” andam confusas no Brasil.

Primeiro, existem inúmeras pessoas que apoiam o movimento GLBT e que são heterossexuais. Eles não iriam à avenida Paulista fazer passeata pela “moral e os bons costumes” de permanecerem sentindo atração pelo sexo oposto, simplesmente porque não há motivos para tal. O Dia do Orgulho Gay não obriga nem incentiva em hipótese alguma que as pessoas mudem sua preferência sexual, mesmo porque trata-se de uma característica não-influenciável e que acompanha a pessoa desde sempre. A Parada Gay não condena a heterossexualidade, ao contrário do Dia do Orgulho Hétero, que reprova as manifestações homossexuais.

Segundo, o argumento (que não foi utilizado pelo vereador Apolinário, mas que é visto por aí) “Se eles podem nós também podemos”. Claro, direitos iguais. Mas vamos ter olhos críticos, queridos heterossexuais: Seus direitos estão garantidos. Vocês podem demonstrar carinho em público, casarem-se, terem direito ao dinheiro um do outro e tudo mais que o brasileiro gosta. E a comunidade GLBT? Não. Felizmente a comunidade heterossexual possui todos os direitos que precisam, ao contrário do outro lado. A Parada Gay é uma manifestação não a favor do sexo entre homos ou de manifestações exageradas de afeto em plena avenida paulista. Trata-se apenas de uma manifestação em prol da igualdade e respeito pela comunidade GLBT. Apenas isto. Tem gente beijando na boca lá, dançando e usando roupas do sexo oposto? Tem sim, mas é um evento, uma festa com esses objetivos centrais e essa é a maneira de chocar e quebrar, aos pouquinhos, com a ideia de que o gay/trans é uma aberração.

Terceiro, sobre os argumentos do vereador Carlos Apolinário, não me resta outra palavra a não ser “infantilidade” para descrever tal atitude. A comunidade GLBT não busca privilégios e sim igualdade perante a sociedade e perante a lei. A prefeitura de São Paulo deve resguardar a moral e os bons costumes? Quem disse que ser heterossexual é um bom costume? Bom costume é respeitar ao próximo e deixar que aqueles que são oprimidos lutem pelos direitos que o resto do povo tem. O vereador também faz apelo à igreja, de onde claramente seus princípios são retirados. A Marcha de Jesus também merece destaque como qualquer outra manifestação de minorias, mas, como muito bem colocado pelo vereador Cardoso, opositor do projeto de lei, “a culpa de a Marcha ter sido transferida da Avenida Paulista não é culpa dos gays nem responsabilidade dos gays”.

O direito de discordar todos nós temos. Nossa opinião é nossa. Mas sejamos sinceros, num país em que dois homens abraçados são agredidos por serem considerados gays, cabe tal manifestação? Pode ser só impressão minha mas me parece que o Dia do Orgulho Hétero apenas alimenta a cultura de que ser homossexual é errado e que os GLBT devem ser oprimidos, já que o mesmo zela pela “moral e bons costumes”. No fim do ano passado, a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) divulgou que a cada dois dias um homossexual é morto em nosso país. Outra pesquisa mostra que o Brasil é o país com maior número de crimes contra GLBT do mundo, sendo que o terceiro estado brasileiro “campeão” nesse quesito é São Paulo. Coincidência? Não.

Nesse rumo, logo chegaremos ao Dia da Consciência Branca e por aí vai. Fica fácil perceber que muitos brasileiros não percebem como são privilegiados por poderem ser um casal de namorados hétero, brancos, de aliança no dedo, podendo namorar em banco de praça e almoçarem juntos na casa da família num domingo. Essas são só as coisas pequenas: existe um leque de privilégios que abordam desde o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo até a adoção de uma criança por tal casal.

Em resumo, o Dia do Orgulho Hétero (para mim) não tem função alguma além de reprimir um grupo já oprimido, alimentando o ódio ou reprovação que muitos sentem pelo grupo GLBT. Como disse Apolinário: “Eu nasci assim e penso assim. É defeito de fabricação”. Bom que o vereador reconhece que tal pensamento é mesmo um defeito. O problema é quando simplesmente reconhecemos nossos defeitos e não nos esforçamos para nos tornarmos menos causadores de conflitos e mais humanos. E vocês o que acham?

One thought on “O Dia do Orgulho/Vergonha Hétero!

  1. Achei ótimo o seu blog, mas acho esse ato podre e pior que já foi aprovado, e tá só esperando o prefeito sancionar pra virar lei, tantos gays morrem por ano por gostar de alguém do mesmo sexo, e héteros morrem por por ser héteros ? Não, acho rídicula essa lei! Homofobia!

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