Dois é doce!

Hoje é Dia dos Namorados. Entre flores, abraços, carência e “eu só queria estar com ele”, é possível guardar um tempinho para as palavras. Só queria dizer, antes de mais nada, que nesse dia vou ganhar um presente, um abraço, um beijo e um “eu te amo” ao pé do ouvido, e é pela primeira vez. Também queria dizer que observar as outras pessoas nesse dia me inspira: me lembra que acho nossa sociedade um tanto quanto deprimida e, falando sério, é culpa das pessoas, não da Lei de Murphy, nem de Deus e muito menos do destino.

Muitas vezes acho que as pessoas banalizam os relacionamentos. Que elas banalizam o amor, disso todo mundo já sabe, afinal a frase “te conheço tão pouco mas já te amo” é dita como “bom dia”, e sabe, isso não é o pior. Posso dizer que na minha cabeça, amar só é bonito quando se conhece muito fundo, talvez até por inteiro. É tão fácil amar o superficial; difícil mesmo, é amar quando se conhece os abismos da pessoa, os demônios e os medos. As pessoas às vezes se deixam acreditar que conhecer alguém que seja “a metade da laranja” vai resolver todos os problemas e que é só juntar os trapos e fica tudo certo. Que a chave não está na convivência, nas atitudes e na tolerância, mas sim na escolha. É uma atitude tão preguiçosa, porque passamos a responsabilidade para as mãos do outro, quando na verdade ela deveria ser dividida em dois. Por isso partimos tanto nossos corações; me entristece gente que não aconselha apaixonar-se, não aconselha namorar e dar um pouco de si ao outro porque já sofreu. Tantas vezes não é nem que “a pessoa não era a certa”, mas sim que não era a hora ou que as atitudes não foram das mais sábias.

Pessoa, o amor também está com você, não desista dele. Não fuja dele, todos nós precisamos desse calorzinho no peito. Pare de falar que não vale a pena namorar, que não vale a pena amar, porque é mentira. Sei que aí no fundo você quer sentir as borboletas no estômago e talvez chorar a noite inteira (a dor faz parte de amar, é inevitável). Guarde-se para alguém que valha a pena, e construa o melhor relacionamento possível: esqueça que hoje em dia quase nenhum namoro ou casamento dura pra sempre. Lembre-se só desse amor aí do seu lado e cuide dele, aproveite o agora e vá dando um pouco de si, pegando um pouco dele ou dela. Aprenda sobre o outro e sobre viver a vida a dois. Ter um relacionamento não é só ser fiel, significa viver não só a sua história mas ajudar a construir a do outro e vice-versa.

Um outro motivo para as pessoas deixarem o amor de lado é acreditarem que ele vai salvá-las de seus demônios. Quantas vezes pegamos nosso coração e colocamos na mão do outro dizendo “cuida dele pra mim, que eu já estou tão cansado. Me dá um pouco de colo, porque minhas pernas doem” e isso é um erro enorme. O amor torna a vida mais doce: é ele quem te dá um sorvete quando o resto já não parece estar no lugar, mas lembre-se que ele não vai resolver os problemas. Ele não vai te salvar, e nem vai ser a pessoa mais importante do mundo (porque essa deve ser você mesmo). Sabe aquela história de que não se deve fazer de alguém o seu tudo, porque quando se perde, você não tem nada? É tipo isso, mas não é necessário perder, porque relações humanas são frágeis. A vida é tão frágil quanto um balão de hélio e a prova disso é que você não é o mesmo de três meses atrás. Mudamos muito rápido, e acompanhar a mudança do outro é um grande desafio (e aí entra a parte de construir o melhor relacionamento possível). Ame intensamente, reserve um lugar no seu coração, mas lembre-se que você deve ser independente, e isso não é conversa de livro de auto-ajuda. É a verdade.

Acredito que esses sejam os dois grandes erros das relações humanas: simplesmente tocar o barco torcendo para dar certo e apoiar-se totalmente no outro. Não sou a pessoa mais certa para falar porque, sendo sincera, eu peco no segundo aspecto, e justamente por isso já me machuquei e, sendo sincera novamente, achei que o amor não fosse bater na minha porta outra vez. Ele bateu. Eu tinha crescido um pouquinho, e, agora, ele me ajuda a ser gente grande. Como disse, a vida é frágil e por isso venho mudando, me aperfeiçoando e tentando criar um relacionamento estável, saudável e acima de tudo feliz. Não deixei de acreditar na beleza das mãos dadas porque (confissão) sou romântica demais. A verdade é que acho que falta romantismo e sensibilidade no mundo; as mulheres deixaram de ser românticas para serem independentes e modernas sem perceber que as três coisas podem caminhar lado a lado (e segurando as mãos de alguém especial).

E você aí, não deixe de acreditar no amor, viu?

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s